Corvina, Molinara e Rondinella: As uvas do vêneto

Corvina, Molinara e Rondinella. Cada uma tem sua qualidade única, mas, juntas, se combinam perfeitamente. A Corvina faz o toque frutado dos vinhos, cheia de variedades vermelhas – todas elas, mas principalmente as cerejas; A Molinara, a mais ácida das três, adiciona frescor a qualquer blend, além de notas de especiarias, como o cravo-da-índia; Por fim, a Rondinella faz a estrutura com taninos macios, mas marcantes. Pimentas (das mais simples às mais apimentadas) completam as características da cepa.

São vários os vinhos de entrada que misturam essas uvas, mas o ápice se dá quando o terroir de origem é Valpolicella. Se o vinho tem no rótulo apenas o nome da denominação (Valpolicella), ele faz parte da base da pirâmide. Por isso, são leves, jovens, refrescantes... A quase ausência de taninos faz com que muitos comparem com a uva francesa Gamay e os vinhos de Beaujolais. Gosta de vinhos leves ou de médio corpo, mas quer sentir sabores complexos? Valpolicella é o lugar!

Nem secas nem passas - “apassitadas”
O lugar também é lar de uma técnica que se tornou mundialmente famosa, mas só é feita por lá. Uma das técnicas na qual o produtor mais interfere na produção: as uvas “apassitadas”. Isso significa que passaram um pouco do ponto (não são passas, não são secas, só um pouquinho mais murchas).

Para isso, após a colheita, os cachos são colocados em caixas ou esteiras e deixados por cerca de três a quatro meses sob a ação do ar para que desidratem. As uvas perdem cerca de 35% a 40% de seu peso, e isso faz com que concentrem mais o sabor, os aromas, o açúcar residual... Tudo! Claro que, com tanto trabalho e uvas que rendem menos, o preço é mais alto também.

Desses, os chamados Passitos são os mais simples, leves e delicados, mas super estruturados – e que estrutura, hein, dessas de deixar anos na guarda. Já a máxima expressão está nos Amarones - as frutas ficam densas, licorosas, e os taninos se especializam na maior elegância do mundo dos vinhos. Não é à toa que estão entre os maiores vinhos da Itália (ou melhor, do mundo!).

Talvez você também já tenha ouvido falar no não tão comum Ripasso della Valpolicella. É feito com uma mistura dos dois acima - utiliza as cascas das uvas “apassitadas” do Amarone e um pouco do próprio vinho de um Valpolicella básico. O resultado é um vinho escuro, denso e cheio de texturas (como o Amarone), mas muito fresco, vibrante e aromático (como o Valpolicella). Tome nota: um Valpolicella mais “top”, um Amarone mais em conta.

Imigração
Vale a pena lembrar que o Vêneto tem uma ligação mais íntima com o Brasil do que qualquer outra parte da Itália. É de lá que veio grande parte dos imigrantes italianos que ocuparam a Serra Gaúcha e ajudaram a inserir o Brasil no mapa dos vinhos!

Por Rafa dos Santos



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