Não tenha medo das rolhasseja-um-craque

Todos querem as rolhas de cortiça… Mas que obsessão é essa? Para começar, só de cortiça existem as maciças, as aglomeradas e as “técnicas”.

Existem também outras alternativas, como rolha sintética, screw cap, de vidro e por aí vai… Elas também têm seus benefícios e, por vezes, são mais baratas também.

Uma coisa apostamos: existem mais tipos de rolha do que você imagina. Entenda a natureza de todos os tipos e saiba quais os seus prós e contras!

As maciças legítimas

Maciça

Mais precisamente desde o século 17, garrafas de vinho são seladas com rolha de cortiça (hoje, cerca de 80% de todas as rolhas ainda são feitas de cortiça). Elas são nada mais nada menos que um pedaço cilíndrico da casca do sobreiro, uma árvore natural de Portugal, país que detém 90% da produção de cortiça até hoje.

E dá para entender por que as pessoas as exigem tanto: elas se comprimem até a entrada no gargalo da garrafa e lá se expandem, vedando o vinho completamente. São uma boa saída para garrafas destinadas ao envelhecimento, mas nem por isso são perfeitas. A cortiça está sujeita ao apodrecimento e ao contágio de fungos e doenças, como o TCA, que resulta num defeito no vinho conhecida como bouchonée - em 2002, 4% das rolhas estavam infectadas com TCA.

Ah, e tem outra coisa… E se não tiver sacarrolhas? Pior ainda: e se a rolha quebrar?

Aglomerada, o que é isso?!

Aglomerada

De uma camada da casca do sobreiro, são extraídos pequenos cilindros, as rolhas. Até aí, sem grandes novidades. Mas você deve (ou deveria) estar pensando: o que se faz com as sobras dessa casca? As sobras são reunidas, processadas e aglomeradas com cola em formato cilíndrico - por isso o nome delas. São mais baratas, menos resistentes, mas desempenham o papel da rolha em vinhos para serem bebidos de seis meses a um ano depois do engarrafamento.

Rolhas “técnicas”

Rolha técnica

A rolha aglomerada é ideal em questão de preço. A maciça, em questão de durabilidade e resistência. A solução? Misturar os dois tipos de rolha. A estrutura, feita de aglomerado, baratea os custos, e a base, de cortiça maciça, aumenta a resistência. Voilà, eis a técnica.

De espumante... Tem diferença?

Rolha espumante

Antigamente, era comum encontrar garrafas de espumante com o lacre do tipo coroa. Mais parecidas com a tampinha da cerveja, são mais baratas e também mais práticas de se abrir. Espumantes comumente recebem este lacre, que depois da degola são arrolhados, mas poucos espumantes podem ser encontrados com este tipo.

Mas depois da degola, recebem uma rolha diferente. Própria para aguentar a pressão dos espumantes. É dividida em duas partes, uma interna, de cortiça maciça e elástica; e outra externa, a “cabeça do cogumelo”, de aglomerado, feita para segurar a pressão e ajudar a retirada da rolha.

Existe rolha só para Porto?

Rolha porto

Não só ele, mas outros fortificados (e alguns destilados também) têm uma rolha especial. Parte rolha, parte tampa, são usadas para guardar vinhos com estrutura suficientemente boa para o envelhecimento, e que não dependem tanto da vedação - dizem até que não precisam ser guardados necessariamente deitados. Elas protegem menos, mas ainda protegem, e são também convenientes. Lembre-se: são vinhos que duram mais do que uma só noite, podendo ser abertos e lacrados com facilidade. Ideais.

E para que serve a cápsula de cera?

Cápsula de cera

Muitos pensam que a cápsula de cera é o complemento que faltava para que a rolha segurasse o vinho por longos anos na adega. Alguns dizem que a questão é puramente estética, a cera é apenas uma maneira rústica de lacrar a garrafa em vez de usar os lacres de plástico. Outros garantem que a proteção favorece a vedação total e complementa a rolha no envelhecimento. Vai saber…

Também têm as rolhas sintéticas...

Rolha sintética

Feitas de plástico e até de cana de açúcar, as rolhas sintéticas simulam o mesmo efeito das rolhas de cortiça. Visualmente falando também. À nosso favor, elas permitem que o vinho respire e não correm risco de contaminação por rolha. E como são resistentes… Mas, por outro lado, alguns dizem que deixa o vinho com gostos sintéticos (e também fica difícil de fechar a garrafa depois de aberta, né?).

Screw cap, sim, e não vale torcer o nariz

Screw cap

Enquanto os vinhos da Austrália são fechados com screw cap desde os anos 1970 e 80% dos vinhos da Nova Zelândia também, a maior parte do mundo ainda recusa este tipo de vedação. Os que mais se arriscam no lacre de alumínio reciclável garantem: apesar de não ser hermeticamente lacrada, separa mais ar do vinho do que as rolhas convencionais, o que contribui para a preservação dos aromas e sabores do vinho; é mais barato do que a rolha natural e todos sabem abrir. O tipo mais indicado para os vinhos que vão ser consumidos em até um ano depois do engarrafamento.

Já ouviu falar nas rolhas de vidro?

Rolha de vidro

Alemanha, Napa Valley, Provença… Poucos são os vinhos que usam este, que é um dos lacres mais charmosos e eficientes. Ele veda completamente o vinho, reduzindo a zero o risco de oxidação e preservando com eficiência os aromas naturais do vinho. Por que todos não usam a rolha de vidro, então? Pelo simples fato de ser colocado manualmente, o que aumentaria o preço final dos vinhos.

Zork o quê?!

Zork

O tipo de vedação recebeu o nome do australiano que o inventou, Zork. Por fora, uma tira de plástico enrola o gargalo da garrafa. Basta destacá-la e o vinho está liberado da vedação. Por dentro, é igual à rolha de vidro.

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