Tudo que precisa saber sobre o Brunello di Montalcino (Parte 2 de 3)

Na Parte 1 deste guia completo da região de Montalcino, começamos a aprofundar na badalada região, berço do Brunello di Montalcino DOCG, um dos vinhos mais importantes e valorizados da Itália e do mundo.

Exploramos os quatro vinhos da região e seus respectivos métodos de produção. Você pode acessar a primeira parte deste guia aqui (LINK).

Agora, vamos explorar a importância do terroir e da safra. Porque nem todo Brunello é igual (inclusive há enormes distinções de uma safra para a outra) - muito daquilo que você precisa saber na hora de comprar um Brunello quando não conhece um produtor em específico!

Os diversos solos de Montalcino… e por que você precisa conhecê-los

As duas maiores regiões vinícolas do mundo - Bordeaux e Borgonha - são historicamente divididas em pequenas parcelas de terra, os chamados “crus”. Grand Cru, Première Cru, Cru Classé… É tudo muito confuso para o apreciador iniciante. (Pode explorar um pouco disso n nosso Guia Definitivo de Bordeaux, aqui (LINK)) É suficiente dizer que essas classificações não são feitas à toa: as características únicas do solo de um pedaço de terra em particular podem resultar em características marcadamente únicas nos vinhos a que dá origem.

Montalcino não é exceção. Enquanto hoje não há sub-regiões oficiais ao longo de Montalcino, entre os grandes apreciadores - e dentro da própria região - a diferença do terroir é tudo.

A distinção principal? Norte e sul.

Trinta anos atrás, a terra do sul da Montalcino era a mais procurada. Abençoada por ampla iluminação solar, tinha solos fantasticamente complexos, ricos e com argila escura, densa e até algumas rochas de mármore, quartzo e tufa calcária - pedras vulcânicas. A composição é ótima para a produção de vinhos profundos.

O norte? Era tradicionalmente usado para a produção de cereal. Fora alguns “crus” (entre eles, a famosa micro-parcela chamada Montosoli), a argila não é tão rica e o solo carece da mineralidade frequentemente encontrada no sul. O clima mais fresco também não era considerado ideal.

Mas ao longo dos anos, esse cenário mudou...

Os produtores foram percebendo que muitos dos melhores e mais longevos vinhos de Montalcino eram produzidos entre 200 e 450 metros de altitude. Muitos dos melhores vinhedos do norte, particularmente os do Montosoli, estão particularmente na altitude ideal.

Existe também um outro assunto importante a se considerar: o aquecimento global, fenômeno que todo produtor em Montalcino tem sentido. O sul, hoje, carrega o risco de amadurecimento precoce das uvas nas safras mais quentes, o que resulta em vinhos “grandes e potentes”, de alto teor alcoólico e fruta muita madura, mas muitas vezes sem grande persistência e pouco potencial para evolução na guarda.

E assim o mercado começou a mudar. Vinte anos atrás, as grandes empresas produtores da região, a Frescobaldi e Banfi, compravam terras no Sul. Já hoje a tendência é buscar e investimento no norte. Os vinhos tendem de ser mais elegantes e perfumados, menos potentes e com maior possibilidade de evoluir na longa guarda. O contraponto é que demoram mais para se abrir.

Entre o norte e o sul, existem outras distinções que valem muito a pena entender (e conhecer!)

Norte

Montalcino Norte - Centro-Norte

Localizados na descida da colina do povoado de Montalcino, esses vinhedos são os mais elevados - altitudes variam de 250 a 450 metros -, com ricos solos de calcário e argila. O Montosoli Cru está localizado aqui e rende vinhos com fruta densa e aromas muito perfumados. Devido à elevação e ao vento, dá origem a vinhos que preservam a elevada acidez e elegância da fruta. Demoram para abrir, mas são entre os que mais valem a pena esperar.

Avaliação: 5/5 Estrelas

Busque os produtores: Baricci (Cru), Capanna (Cru), Lívio Sasseti “Pertimali”, Valdicava (Cru), Canalicchio di Sopra, Paradiso di Manfredi, Altesino (Cru), Sirio Patente

Bosco - Noroeste

Apenas dois produtores estão localizados nesta sub-região plana, cheio de bosques (daí o nome). As temperaturas baixas e os solos pobres rendem vinhos de boa acidez, mas sem grande complexidade e estrutura.

Avaliação: 3,5/5 estrelas

Busque o produtor: Castiglione del Bosco

Torrenieri - Nordeste

Densos e compactos solos de argila resultam em vinhos incrivelmente tânicos, muitas vezes até sem equilíbrio. O terroir não é considerado ideal para a Sangiovese, mas com cuidado e algumas inovações tecnológicas alguns produtores estão achando os clones ideais para esse terroir.

Avaliação: 3/5 estrelas

Busque os produtores: Citille di Sopra e Sasso di Sole

Sul

Montalcino Sul - Centro-Sul

Inférteis solos de calcário fazem com que as vinhas sofrem e trabalhem para se desenvolver, agregando complexidade a seus vinhos. Os vinhedos mais elevados estão sujeitos a grandes variações de temperatura entre dia e noite, o que resulta em vinhos com aromas intensos.

Avaliação: 4,5/5 estrelas

Busque os produtores: Cerbaiona, Cave d’Onice, Fattoria dei Barbi, Biondi Santi, Gianni Brunelli

Castelnuovo dell’ Abate - Sudeste

Talvez a área do sul mais valorizada hoje. Com ótima elevação (entre 250 e 350 metros), é protegida pelo vasto monte Amiata dos ventos quentes do norte da África. A área oferece maravilhosa exposição solar e um índice pluviométrico abaixo do resto da região, o que contribui ao amadurecimento da uva sem os mesmos riscos de sobrematuração enfrentados pelos produtores do sudoeste. Estes vinhos são poderosos e, ainda assim, elegantes.

Avaliação: 5/5 estrelas

Busque os produtores: Ciacci Picollomini d’Aragona, Collosorbo, Poggio di Sotto, Mastrojanni

Tavernelle - Sudoeste

O clima é quente na pequena aldeia de Tavernelle, mas a altitude (de 300 a 400 metros) protege as vinhas dos extremos. Os melhores vinhos oferecem fruta matura e bastante profundidade.

Avaliação: 4/5 estrelas

Busque os produtores: Caprili, Armilla, Gianfranco Soldera “Case Basse” (Cru)

Camigliano - Oeste/Sudoeste

O clima árido e quente dificulta o trabalho de muitos produtores, o que se intensificou nos últimos 10 anos. Os melhores produtores estão localizados perto do rio, onde os solos oferecem mais complexidade e as vinhas são agraciadas por ventos mais frescos.

Avaliação: 3/5 estrelas

Busque os produtores: Antinori Pian delle Vigne (Cru), Marchesato degli Aleramici

Sant’ Angelo in Colle/ Sant’ Angelo Scalo - Sul/Sudoeste

A parte mais quente e seca da denominação. As vinhas de maior altitudes, principalmente em Sant’Angelo in Colle, rendem obras musculosas e poderosas, com bastante longevidade. Os produtores em Sant’Angelo Scalo enfrentam verões castigantes. Apesar dos ricos solos da Val d’Orcia, muitos desses vinhos tendem a ter graduações alcoólicas extremas e baixa acidez se comparado aos conterrâneos a norte. Vinhos exuberantes, feitos para consumo enquanto jovens.

Avaliação: 3,5/5 estrelas, mas muita variedade dentro da própria sub-região

Busque os produtores: Col d’Orcia Poggio al Vento e Lisini

Já que agora entende um pouco mais das divisões e terroirs de Montalcino, falta só mais uma peça importante: a safra.

As últimas safras em Montalcino

(traduzido: quando você deve abrir o seu Brunello?)

O clima é um dos fatores mais importantes. É difícil produzir um vinho excelente em uma safra desafiadora. Segue o que você precisa saber das safras disponíveis no nosso mercado hoje

2012
Safra incrível, nos melhores casos chega a competir com a 2010 pela complexidade e potencial de guarda. Muitos destes vinhos se encontram ainda não prontos para tomar, especialmente os do norte. Recomendamos comprar agora, pois devem subir os preços ao longo dos anos (tente deixar alguns na adega). Tomar entre 2020 e 2030. 5/5 estrelas

2011
Safra muita boa. Um aquecimento inesperado em agosto resultou em maturação um pouco precoce. Os vinhos não possuem o mesmo potencial de guarda das safras 2010 ou 2012, mas oferecem profundidade e equilíbrio, com algumas grandes jóias. Muitos já prontos para tomar e excelentes. Tomar entre 2017 e 2025. 4/5 estrelas

2010
Safra incrível, considerada a melhor deste milênio. Marcada por um verão estável, com bastante luz e calor, resultou em maturação perfeita: os vinhos oferecem equilíbrio, poder, estrutura e grande potencial para guarda. Tomar entre 2018 e 2030. 5/5 estrelas

2009
Safra boa. Os vinhos do norte são frutados e equilibrados, já os vinhos do sul, musculosos. Em alguns casos, alcoólicos demais. Tomar agora. 4/5 estrelas

2008
Safra boa. Clima relativamente fresco ao longo do verão, mas com pouca chuva. Os melhores vinhos são frescos e florais. Depende muito no produtor e da localização. Tomar de agora ou até 2020. 4/5 estrelas

2007
Safra boa e quente. Vinhos de fruta pronunciada e, em alguns, casos elegância. Tomar de agora até 2022. 4/5 estrelas

E aí, já está pronto para buscar uns Brunellos, empolgado pelo seu novo conhecimento do assunto? Antes correr para a loja, faltam algumas coisas para considerar…

Confira a última etapa desta matéria, a terceira, Brunello di Montalcino.

Escrito por Alykhan Karim



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