A culinária chegou de caravela

Durante anos sob o reino de Portugal, os brasileiros viam na Europa um modelo a ser seguido e imitado – desde a maneira de se vestir até os hábitos à mesa.

Há 512 anos, os portugueses atracaram suas caravelas no Brasil pela primeira vez. Durante anos sob o reino de Portugal, os brasileiros viam na Europa um modelo a ser seguido e imitado – desde a maneira de se vestir até os hábitos à mesa.

É deles, por exemplo, que foi herdado o gosto pelos doces (quem nunca ouviu um estrangeiro dizer que o nosso brigadeiro é gostoso, mas muito doce?). Há também muitos ingredientes que nossos colonizadores nos “ensinaram” a comer, entre eles a manga, a jaca, a galinha, os ovos, as castanhas, a canela e o pão de ló. De tudo isso, o que mais destaca é, sem dúvidas, o peixe – assado, frito, grelhado, na brasa, ensopado, empanado...

Mas com tantos anos de história com os pescados, por que será que quem prova um peixe em um restaurante português, ou mesmo em Portugal, garante que não há nada parecido por aqui? Muitos dizem que é pela diferença das águas dos nossos litorais, outros tantos defendem que é pelo clima. Há também quem acredita que é pelo modo como utilizam os temperos e, principalmente, o azeite.

Ouro líquido

Faço parte deste último grupo. Não por desconfiar das outras razões, mas por experiência própria. Foi um português que me ensinou como um pedaço de pão molhado em um azeite de qualidade pode se transformar num verdadeiro prato gourmet.

Ele estava de passagem em Madri, capital espanhola, justamente para divulgar algumas das várias regiões portuguesas que produzem azeite. Muitas delas, inclusive, são denominações de origem. A mais clássica, e que melhor representa o país, é o Alentejo (veio de lá o exemplar que eu provei). Porém, os azeites mais famosos hoje em dia são os de Moura, característicos por sua leveza e pelo final picante na boca (“tão fino como azeite de Moura”, costumam dizer). Há ainda as denominações do Norte Alentejo, Ribatejo, Beirta e Trás-os-Montes.

“A verdade é que o azeite pode acompanhar tudo”, disse o português ao notar a minha cara de surpresa com o pedaço de pão na mão. Como muitos brasileiros, eu não estava acostumado a degustar o azeite dessa forma. É incrível como algo tão simples pode se transformar em uma experiência com apenas uma mordida (melhor ainda se estiver acompanhado de um bom tinto).

Acho que você já percebeu qual é minha herança lusitana favorita. E a sua, qual é?

Por Rafa dos Santos



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