Guia de compras das safras mais recentes de Bordeaux: 2014, 2015 e 2016

A extraordinária e histórica safra de 2010 para Bordeaux foi seguida pelas três medíocres 2011, 2012 e 2013. Essas safras não representam grandes marcos na vitivinicultura da região que origina muitos dos vinhos mais desejados do mundo - ainda mais quando comparadas a 2010, a até então melhor safra da última década logo ao lado das também icônicas 2005 e 2009.

Mas a boa notícia para os amantes da região é que a qualidade das últimas lançadas safras têm voltado ao patamar de 2010. Acredite, 2014, 2015 e 2016 estão sendo comparadas à ilustre 2010, e por isso achamos que você pode precisar de uma mãozinha na hora de escolher os próximos Bordeaux para envelhecer na sua adega!

2014: o melhor custo-benefício das últimas safras

A maior parte do período de maturação das uvas foi difícil em 2014 em Bordeaux. O verão foi foi marcadamente frio e úmido, fazendo com que os produtores já estivessem esperando resultados muito próximos da catástrofe que foi 2013. “Mas o calor e o tempo quente do final de setembro e outubro (um magnífico verão indiano) levaram as uvas à perfeita maturação”, disse o crítico de vinhos James Suckling.

Os vinhos da safra 2014 foram avaliados pela primeira vez no começo de 2015, antes do início da temporada de “en primeur”, vendas antecipadas na qual o cliente compra o vinho antes de ser engarrafado, prática comum nos maiores châteaux de Bordeaux. À época, a safra não foi considerada excepcional, mas significava um respiro após a traumatizante 2013. “Eu me lembro durante a minha degustação de primavera que a safra de 2014 tinha potencial”, afirmou Neal Martin, crítico da Wine Advocate responsável por avaliar os vinhos de Bordeaux. “Enquanto seus vinhos não seriam coroados com superlativos como foram as safras de 2005 e 2009, eles eram frescos e vívidos até mesmo no estágio pré-natal em que se encontravam”, completou.

James Suckling também notou uma diferença significativa dos vinhos de 2014. “Eu encontrei poucos rótulos exagerados, especialmente comparados com os vinhos de 1998 a 2010”, disse o crítico em um artigo lançado recentemente em seu blog. Suckling acredita que a nova geração de enólogos de Bordeaux começa a tomar conta dos vinhos da região, fugindo ao padrão “blockbuster” e com estilo próximo aos vinhos do Novo Mundo. Nas palavras dele, “isso faz com que os vinhos de 2014 sejam acessíveis no lançamento, o que significa Bordeaux maravilhosos e prontos para beber ao passar o portão”.

Foi no final de março e começo de abril de 2017, antecedendo o lançamento das garrafas ao mercado, que os críticos revisitaram os vinhos da safra e, para a surpresa de todos, as avaliações foram ainda melhores. Hoje, a safra é considerada excelente. Segundo a tabela de safras da Wine Advocate, inclusive, 2014 foi considerado “incrível” para as duas margens de Bordeaux, com destaque à Pomerol, com 94 pontos pela revista norte-americana.

“O que faz a safra de 2014 ser ainda mais interessante são os preços, deve ser o melhor custo-benefício em Bordeaux desde a safra de 2008”, comenta James Suckling. Roger Voss, jornalista da revista Wine Enthusiast, que teve a oportunidade de provar Bordeaux do dia a dia (que chegam aos Estados Unidos por menos de US$ 25), disse que “em uma safra boa, como 2014, esses são vinhos deliciosos e estão prontos para serem bebidos jovens”.

2015: a melhor safra desde 2010

Chuvas intermitentes de agosto a outubro causaram algumas complicações na safra de 2015, especialmente na porção norte de Margaux, onde os produtores tiveram que se contentar com vinhos de qualidade próxima a intermediária 2012. “Apesar disso, os produtores excepcionais fizeram vinhos por meio de viticultura meticulosa e vinificação prudente”, conta James Suckling, que acredita ter sido um ano excitante para Bordeaux, apesar de tudo.

“Não é como as melhores safras recentes - 2010, 2009 ou até mesmo 2005 -, porque essas safras foram um sucesso em todos os sentidos e a estação de maturação das uvas foi boa em todas as sub-regiões de Bordeaux”, afirma Suckling. A safra não foi homogênea e, de acordo o crítico, algumas propriedades atingiram níveis de qualidade superiores a 2009 e a 2010, enquanto outras chegaram mais perto de 1996 e 2004. Nas palavras dele, “os produtores tiveram que extrair menos durante a fermentação a maceração, e usaram menos madeira nova, de maneira geral, fazendo vinhos com finesse e calma - Bordeaux de verdade”.

Roger Voss também enxerga a safra de 2015 com otimismo. A opinião do crítico da WE é um pouco diferente de Suckling. Ele acredita que é em Margaux, Saint-Émilion, Pomerol e Pessac-Léognan que estão os maiores vinhos da safra, inclusive alguns com potencial de atingir os 100 pontos. “Apesar da absoluta qualidade tanto da Cabernet Sauvignon quanto da Cabernet Franc, a suculenta Merlot é a grande estrela”, afirma Voss. Em uma comparação com as últimas safras, ele coloca 2015 entre as excepcionais 2005 e 2009 - “a melhor desde 2010”.

2016: uma promessa maravilhosa

A safra de 2016 foi dividida em duas partes: a primeira, de janeiro a junho, foi marcadamente chuvosa (foram mais de 700 mL só nesse período!); enquanto a segunda parte foi extremamente seca, com picos de calor de dia e noites frias. “O clima continuou seco até o fim da colheita, exceto por uma tempestade no dia 13 de setembro, que providenciou a maior parte da água que as uvas precisavam”, afirmou Roger Voss.

Isso significou um bom resultado para ambas as margens, sendo ligeiramente melhor para a margem esquerda, com destaque às Saint Estèphe, Pauillac e Saint Julien, “graças à excepcional Cabernet Sauvignon”, garanta Neal Martin. Ainda segundo o crítico da Wine Advocate, os vinhos da safra 2016 representam o clássico estilo de Bordeaux. “Cor profundamente lúcida. Aromas perfumados florais. Taninos excepcionalmente finos com fruta madura em abundância. Frescor surpreendente e altos níveis de acidez”, resumiu Martin.

Olivier Berrout, diretor do Château Pétrus, em Pomerol, concorda com Neal Martin. “Foi uma safra especial. Nós tivemos fruta madura, nós tivemos taninos excepcionais e depois nós tivemos muito frescor”, contou Berrout. Dos dez primeiros vinhos avaliados por Roger Voss antes do lançamento deles para en primeur, cinco receberam de 98 a 100 pontos e os outros cinco de 97 a 99 pontos. Entre eles, estavam os renomados Château Lafite Rothschild, Latour, Palmer e Pétrus.

A comparação entre 2015 e 2016 é inevitável. James Suckling analisa as duas safras, ambas com clima excelente. “Apesar de a safra mais nova de Bordeaux ser uma promessa maravilhosa, produzindo vinhos dinâmicos, brilhantes e bem estruturados, especialmente na margem esquerda, enquanto 2015 continua um clássico ano com um pouco mais de fruta exótica, taninos sedosos e fruta madura, especialmente na margem direita”, concluiu. No ranking de Suckling, 2016 está apenas atrás das safras 2005, 2009 e 2010 - “eu daria nota a frente das safras 2000 e 2003, assim como qualquer safra de 1990 em diante, exceto a própria safra 1990” - e talvez 2015.

Resumindo...

  • Os vinhos de melhor custo-benefício das décadas mais recentes são certamente os da safra 2014: foi um ano incrível, de acordo com a classificação da Robert Parker’s Wine Advocate, mas principalmente quando comparada a 2013. Procure Bordeaux mais simples, de châteaux pouco conhecidos, pois estão prontos para beber e têm frescor inigualável.
  • 2015 foi certamente a melhor safra desde 2010, sendo (até o presente momento) a nova grande safra da década. Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc tiveram ótimo resultado, mas o grande destaque da safra 2015 foi a Merlot, chamando atenção especial para os vinhos de Pomerol e Saint-Émilion.
  • Já 2016 foi um ano melhor para a margem direita, com Cabernet Sauvignon excepcional. As avaliações da en primeur acabaram de sair, mas os vinhos da safra mais recente são uma grande promessa. Seus vinhos estão logo ao lado das safras 2005, 2009, 2010 e 2015.


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