Era uma vez a Malbeccuriosidades

Era uma vez a Malbec... Como ela veio da França? Por que veio à América? Como transformou toda a denominação de Mendoza? Que uvinha guerreira, hein?!

Nascida na França, mais especificamente em Cahors, essa uva que foi origem dos chamados “vinhos negros” por sua intensa cor, encontrou seu terroir mesmo na Argentina!

Cahors - França, 92 d.C

Segundo registros, a Malbec estava sendo cultivada em solos franceses, na cidade de Cahors, que se localiza numa península, às margens do rio Lot. Nessa cidadezinha vizinha de Bordeaux, cercada por rios e quase sem sol, nossa querida Malbec não era das castas a mais cultivada, nem a mais apreciada. Era chamada de Côt e seus vinhos traziam taninos mais duros e cor muito intensa, que foram nomeados “vinhos negros de Cahors”. Um tanto esquecida na França até que...

França, final do século 19

A praga Filoxera devastou grande parte dos vinhedos franceses e de outros países da Europa e importantes geadas em meados do século 20 prejudicaram muito as plantações de Cahors. Nossa Malbec que já não era tão lembrada havia sido devastada na França!

Argentina, meados do século 19, precisamente 1852

Político, escritor, docente e presidente da República, o sanjuanino Domingo Faustino Sarmiento, contrata Michel Aimé Pouget, engenheiro agrônomo francês, que leva à Argentina diferentes castas francesas, entre elas, a Malbec! Teorias de cá, teorias de lá, papo pra cá, Malbec pra lá... A casta é cultivada com sucesso em solos argentinos, especialmente em Mendoza e San Juan.

Voltando a França, século 20

Empresários tentam se recuperar da crise na vitivinicultura, mas a Malbec já encontrou seu verdadeiro terroir bem mais lá embaixo... Os franceses dizem que é de Cahors o verdadeiro Malbec, mas há controvérsias. A antes esquecidinha, agora queridinha, é disputada na rixa “o verdadeiro”. Seria ele francês ou argentino? Bom... A casta predomina mesmo é na terra dos hermanos! Mas o “berço” (derrubado) é Cahors, França.

França x Argentina

Lá onde a Malbec nasceu, às margens do rio Lot, como já dá para imaginar, é bem úmido. Cahors fica cercada de rios, cachoeiras e trilhas. E a uva que agora se aproveita do sol argentino, passava frio sem um casaquinho lá na França... Esse clima frio e solo úmido dão a ela taninos duros, acidez refrescante e cor muito intensa.
Enquanto isso na Argentina... Ah, lá a Malbec se aproveita da exposição ao sol, solo seco e clima desértico que possibilitam que ela amadureça no tempo certo. E então seus taninos ficam mais macios, a cor continua intensa e na boca traz características frutadas, o doce natural da maturação da uva.

E foi assim, se adequando perfeitamente ao clima argentino, que a Malbec precisou viajar da Europa à América para descobrir o seu verdadeiro lar.

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