Novidade em Champagne

Como se já não bastasse as delícias da região de Champagne, os franceses nos agraciaram mais uma vez: quatro novas castas que haviam sido esquecidas no passado, ressurgiram.

Vale lembrar, que se existe um país expert em surpresas, é a França, afinal foi a partir de seu terroir nada perfeito para vinhos (solos muito calcários e pouco calor dificultando o amadurecimento das uvas), que surgiu o delicioso Champagne.

Essa redescoberta só se concretizou por uma razão ainda mais inusitada: o aquecimento global. Ele, que costuma aparecer sempre como vilão em inúmeras notícias foi o principal responsável por isso.

Explicamos: este fenômeno responsável pelo aumento das temperaturas tem auxiliado no processo de amadurecimento das uvas, o que há tempos não era possível.

Agora, a região onde predomina o cultivo de castas como as queridíssimas chardonnay e pinot noir (como já falamos aqui e aqui) possui também quatro novas uvas.

E quem são elas?

Arbane

Sua origem é um verdadeiro mistério. Uns dizem que sua cepa fez parte do legado dos romanos, outros afirmam que ela é tão inovadora, que nem estudando seu gene foi possível designar a verdadeira origem. Pode ser encontrada em abundância na região, onde alguns produtores têm realizado uma mistura dela com outras castas resultando em rótulos com pelo menos 11% de graduação alcoólica.

Petit Meslier

Como o nome já sugere, é o menor componente de algumas das misturas realizadas em Champagne. A pequena notável, tem sido apreciada por sua capacidade em reter a acidez e quando não mesclada, é bem perceptível suas notas de frutas cítricas, como maçã. Vale lembrar que ela é o resultado do cruzamento entre Gouais Blanc e Savagnin, ambos provenientes da família Traminer.

Fromentot

Encorpada e ao mesmo tempo leve, com frescor presente e riquíssima em mel. Notas de frutas amarelas, como pêssegos e damascos. Parece familiar? Não é para menos, a Fromentot é muitíssimo parecida com a já conhecida Pinot Gris, da Borgonha. Presente também na Áustria e nos Estados Unidos, a Pinot Gris agora também se encontra na França!

Blanc Vrai

Para entender esta uva precisamos rapidamente voltar no tempo, apenas para lembrar que, historicamente, a Pinot Blanc havia sido usada tanto na região de Borgonha, quanto em Champagne. E graças a essa mistura, hoje é possível encontrar esta casta, até então adormecida, mesclada em pequenas quantidades nos rótulos de Pinot Blanc.
Agora a parte mais fácil: a Pinot Blanc, na região de Champagne, atende pelo nome de... Blanc Vrai.

Mas por que elas ainda não estão entre nós?

Primeiramente, porque estas castas são delicadas, e requerem um cuidado especial, além, claro, do tão famoso terroir ideal.

Também requerem paciência: a cada cinco anos, elas ficam verdes apenas um, dessa forma sua biodiversidade é preservada, e os produtores conseguem manter este patrimônio.

Enquanto elas não se espalham pelo mundo, que tal aproveitar o melhor da região?



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