De onde vem o vinho do Brasil?curiosidades



7 de setembro! Tem data mais patriótica? Para comemorar esse clima, que tal saber mais sobre o vinho no Brasil?

Quem trouxe a cultura milenar do vinho para nossa terra? Qual foi o primeiro vinho brasileiro? Como ele se desenvolveu?

O começo...

Assim como as pessoas e a cultura, nosso país – e nosso vinho – foi formado por vários povos. Podemos falar sem medo que o Brasil “puxou” a tradição do vinho, inicialmente, de Portugal. A caravana de Pedro Álvares Cabral não transportava apenas portugueses. Junto com toda a tropa que iria fazer história, estava nada mais nada menos que 65 mil litros de vinho, mais especificamente um tinto do Alentejo, da propriedade Pera Manca. Para que tudo isso de vinho?

Bom, para muitas coisas: preparar e higienizar alimentos (o álcool tinha um poderoso uso para higienização da época), manter a tripulação ativa, e principalmente para celebrar as missas que aconteciam todos os dias, nos 13 navios da frota.

Os primeiros vinhos brasileiros

Sendo assim, quando os navios portugueses pisaram no solo que se tornaria brasileiro, já trouxeram o vinho consigo. Mas qual foi o primeiro vinho brasileiro?

Bom, o primeiro mesmo, não era exatamente um vinho. Os índios que entraram em contato com os portugueses (que aliás detestaram o vinho tinto trazido por eles) estavam acostumados a beber um fermentado de mandioca chamado Caium. Pois é, nosso primeiro vinho era de mandioca.

Mas, passando um tempo, quando Portugal começou a enviar portugueses para o domínio efetivo da nova terra, foi um fidalgo chamado Brás Cubas, do Porto, que foi o primeiro viticultor do Brasil. Ele tentou produzir vinho em março de 1532, na Serra do Mar (onde seria Cubatão), com cepas portuguesas. A experiência não deu muito certo, então Brás Cubas subiu a serra e tentou fazer um vinhedo na área do Tatuapé. Dessa vez a coisa correu melhor, e há registros positivos sobre as “fecundas vinhas paulistanas”. Em 1640, o vinho produzido em São Paulo já era elemento importante, com uma básica regularização de preços e qualidade.

A chata da Dona Maria

Videiras foram levadas para outras partes do país, principalmente à Ilha de Itamaracá, para suprir os imigrantes holandeses. Mas a febre do ouro em Minas deixou a vitivinicultura de lado, fazendo o preço do vinho subir drasticamente, virando um ítem de luxo. Daí, a coisa piorou quando a rainha Dona Maria I decretou que toda a produção manufatureira seria proibida, no Brasil. O rei veio fugido do Napoleão pra cá e trouxe vários rótulos europeus, principalmente o Vinho do Porto, que desde 1756 éramos obrigados a comprar.

A coisa só voltou a melhorar da independência à República, quando começam os fluxos migratórios de alemães e europeus para o sul do país, para proteger a área. O vinho volta a ser produzido e começa outra era na história: a influência italiana.

Era Italiana

Os imigrantes italianos vieram em massa ao país, e reforçaram a cultura do vinho. Plantando vinhedos como na Itália (mas com uma uva americana chamada Isabel), os italianos criaram o começo da indústria vinícola brasileira. O vinho parou de ser produzido em escalas familiares e passou a ser realmente comercializado e transportado à outras regiões, além da Serra Gaúcha.

É apenas em 1910 que surgem as empresas de vinho no Brasil, com o desejo do governo de arrecadar impostos sobre a comercialização. A vida era difícil para o produtor de vinho brasileiro. Para organizar a casa, foi feito um regime de cooperativas, e a Escola de Engenharia de Porto Alegre contrata profissionais italianos para treinar os produtores a plantar, colher e elaborar vinhos para o comércio. Isso dá muito certo, e o consumidor começa a conhecer os vinhos nacionais pelo nome e rótulos. Nessa época, os mais famosos eram os vinhos com a uva Isabel e Bonarda, vendidos em pipas de 400 litros e depois em garrafões de 5 litros, arrolhados com um lacre de gesso.

Grandes nomes investiram e incentivaram a produção do vinho no país, como os médicos Luiz Pereira Barreto e Campos da Paz e o agrônomo Julio Seabra Inglez de Sousa. É o marco da cultura artesanal para a indústria do vinho.

Sangue de Boi e as castas

Acredite se quiser, devemos muito ao vinho Sangue de Boi, da Aurora, que popularizou a bebida no país. A partir de 1920, os vinhos vão crescendo em qualidade. Em 1929 surge a Granja União, que faria muito sucesso com seus vinhos varietais, que fazem o brasileiro se acostumar a pedir o vinho de acordo com a uva: Cabernet, Riesling, Merlot e outras castas foram ganhando fãs pelo território nacional.

Na década de 70 a indústria dá um salto de qualidade e marketing, e marcas com nomes franceses e alemães passaram a dominar o mercado, como Château Duvalier, Château D'Argent e St. Germain.

O crescimento e a era atual

E então, multinacionais começaram a ter interesse pelos vinhos do Rio Grande do Sul, e o negócio foi se expandindo exponencialmente. As antigas famílias produtoras correram atrás do progresso, surgindo nomes como Miolo, Pizzato, Valmarino e outros. Teorias e práticas estrangeiras foram se instalando, criou-se cursos que evoluíram para um curso superior de enologia, e a confiança pela capacidade brasileira de produzir vinhos foi crescendo. Com ela, cresceu-se a busca por novos terroirs: Vale do São Francisco, nordeste do Brasil, Serra Catarinense e região da Campanha Gaúcha, extremo sul do Brasil e fronteira com o Uruguai.

No início dos anos 90, as barreiras de importação caem e o Brasil entra no quarteto de países que mais dispõem vinhos no mundo, junto com Estados Unidos, Japão e Inglaterra. Hoje, vemos um crescente de interesse, não apenas pelos vinhos, mas pelo saber, pela informação a respeito de todo esse mundo. Questões sobre impostos são discutidas, mas é fato que o vinho brasileiro já tem aval para criar fama e orgulho ao nosso povo.

Por Fernanda Braite

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